sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Muro

         (Ricardo Duque)

O muro isola, mas não defende,
Espalha-se constantemente.
Separa alguns lugares,
É de arame em  presídios e cárceres,

O muro dita territórios vis,
É ruína em Berlim.
Degreda se não cuidamos,
São de pedra como os humanos.

O muro também é sagrado, frívolo,
É o penhasco dos vivos.
Encapa toda gente,
Edifica o imponente.

O muro dos pássaros, membrana e casca.
Dos escravos, outrora senzala.
Dos rios, veias de pontes,
Do cérebro, derrame.

O muro da cor, desatenção e cegueira,
Das fadas, bruxas, feiticeiras.
Do querer, paciência, espera,
Do saber quem me dera.

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